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31/05/2017 - 15:08
Guerra química, uma destruição invisível
A professora Regina Dalston, do curso de Química, explica os perigos da utilização, cada vez maior, de armas químicas no contexto histórico e atual
  • Guerra química, uma destruição invisível
  • Guerra química, uma destruição invisível
Esquerda Fotos: Faiara Assis Direita
Há quase um século foi banido o uso de armas químicas e biológicas. Nos últimos 30 anos, muitos países assinaram tratados em que se comprometeram a paralisar programas de desenvolvimento desse tipo de armamento e também garantiram a destruição de seus arsenais. No entanto, outros se negaram a fazer parte de acordos, como o Iraque, que já utilizou armas químicas nos estágios finais da guerra contra o Irã, entre 1980 e 1988, e contra a população curda no norte iraquiano.

As autoridades de Bagdá também já admitiram ter produzido gás mostarda e agentes nervosos, como os gases VX, sarin e tabun, além de agentes biológicos como o anthrax e toxinas. Especialistas especulam que o sarin foi usado em 2013 no conflito civil sírio, em ataque que vitimou mais de 1.400 pessoas, em sua maioria civis. A professora do curso de Química da Universidade Católica de Brasília (UCB) e doutora em Química pelo Instituto Militar de Engenharia (1998), Regina Célia Dalston, comentou o impacto do uso de armas químicas em todo o mundo. O assuntou ganhou evidência com o bombardeio químico ocorrido em abril deste ano, em uma cidade no noroeste da Síria, que ocasionou a morte de dezenas de pessoas. Segundo a professora, mesmo inodoros e invisíveis, os gases têm efeito letal de destruição em massa numa guerra química, ao provocar desmaios, convulsões, vômitos e espumas na boca.

Qual a diferença entre arma biológica e química?
As armas químicas usam produtos químicos, enquanto armas biológicas usam microrganismos patogênicos, como o anthrax, que provocam doenças envolvendo vírus e bactérias.

Então, o que são armas químicas? Quando surgiram?
Ela pode ser um gás em spray ou na forma líquida, ou seja, pode ser absorvida pela pele ou por inalação e ser enviada por morteiro, inclusive. Existem quatro tipos básicos: sufocantes, irritantes, hematóxicas e neurotóxicas. Elas surgiram na Primeira Guerra Mundial, e o protocolo de não proliferação de armas químicas foi assinado em 1925, antes da Segunda Guerra Mundial. Os principais agentes neurotóxicos são os gases organofosforados, como o tabun, que possui cianeto em sua estrutura, e os gases sarin e soman, que possuem cloro associado em sua estrutura molecular. Todos eles são altamente tóxicos, porque possuem cloro associado com fosfina e cianeto em suas estruturas básicas. Com ampla propagação, o tabun é o mais tóxico entre eles, tendo como antídoto a atropina, se for administrada de forma rápida.

Qual o principal problema envolvendo a utilização de armas químicas?
Há uma série de países que não assinaram a Convenção sobre Armas Químicas, que proíbe a produção, o armazenamento e o uso de armas químicas, entre eles Síria, Iraque, Egito, Líbano, Angola, Somália e Coreia do Norte. Esses países sempre estão em evidência, utilizando armas químicas. Os países que têm o costume de lidar com armas químicas já possuem em seus hospitais os antídotos necessários. As armas já existem há bastante tempo, mas, após a dissolução da União Soviética, os registros de onde estão os depósitos de armas se perderam. Devido a uma grande miséria na região, as grandes mentes científicas ficaram sem emprego e, com a queda do regime comunista, venderam armas de todas as espécies (nucleares, biológicas e físicas), como o urânio enriquecido. Assim, teve início o rigor em cima de ações contra o bioterrorismo e em defesa da biosseguridade. Tudo isso pertence à mesma categoria em linhas de defesa e há uma regulação sobre a compra de grandes quantidades de produtos químicos em todo o mundo.

O que é importante saber sobre o assunto?
O uso de armas químicas é um retrocesso. Foi utilizado na Guerra do Vietnã e é utilizado nas guerras do Oriente Médio por baixo custo. É uma arma com proporção não controlada, pois é atirada com morteiro e o gás se propaga com a direção do vento e se dilui por diversos espaços. Seus efeitos não se limitam ao campo de batalha, mas atingem toda a população. Qualquer pessoa pode ser atingida, até mesmo dentro de casa, porque ela flui. A depender de sua concentração, pode atingir um território equivalente a uma cidade pequena.

Saiba quais são os tipos de armas químicas!

1) Sufocantes: cloro (Cl2), fosgênio (COCl2), disfogênio (C2O2Cl4).
Características: são gases de cor esverdeada com odor sufocante. Quando inalados, se acumulam nos pulmões, ocasionando morte por asfixia. O fosgênio pode demorar até 48 horas para fazer efeito, enquanto o cloro afeta imediatamente.
Proteção e antídotos: uso de máscara antigás.

2) Hematóxicas: cianetos (cianeto de hidrogênio (HCN) e cloreto de cianogênio (CNCl).
Características: são gases incolores com odor de amêndoas. O cianeto de hidrogênio é absorvido pelos pulmões, afetando cérebro e coração – que podem parar de funcionar em até oito minutos. O cianeto de hidrogênio pode ser absorvido pela pele.
Proteção e antídotos: máscaras antigás e roupas especiais.

3) Irritantes: gás mostarda (Cl - CH2 - CH2 - S - CH2 - CH2 - Cl) e lewisite (C2H2AsCl3).
Características: o gás mostarda é amarelado na forma líquida. O cheiro lembra alho ou peixe, mas não é muito forte. Os gases queimam a pele, os olhos e todos os órgãos internos, caso sejam inalados, causando grandes ulcerações.
Proteção e antídotos: os agentes irritantes atacam o corpo tanto na forma líquida como na forma gasosa, sendo necessário equipamento de proteção completo, para todo o corpo.

4) Neurotóxicas: gases organofosforados, como tabun (GA, óxido de dimetilaminoetoxicianofosfina), sarin (GB, óxido de metilisopropiloxiflorofosfina), soman (GD, óxido de metilpinacoliloxifluorifosfina) e VX (etil-S-2 diisopropilaminoetilmetilfosfonotiolato).
Características: na forma líquida, são absorvidos pela pele. Uma quantidade muito pequena é capaz de provocar a morte em menos de dois minutos.
Proteção e antídotos: máscaras impedem intoxicação pelos agentes em forma de vapor, mas para as formas líquidas é preciso vestir equipamento de proteção completo.

Anny Cassimira

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