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07/06/2017 - 13:29
O educador no mundo contemporâneo
Semana da Pedagogia da UCB reflete o papel do educar e as interfaces da educação no mundo atual. O evento recebeu palestrantes convidados e ofereceu uma programação diversificada
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Esquerda Fotos: Faiara Assis Direita
“O educador pode ser um divisor de águas na vida de uma criança”, disse a psicóloga, Dra. Rosa Maria Ferreira Freitas, durante a abertura da Semana da Pedagogia da Universidade Católica de Brasília (UCB). A frase dela, que norteou todo um discurso, também refletiu nos demais temas debatidos durante os dias 29 a 31 de maio, na semana do curso. A Conferência de abertura oficial do evento tratou do tema Pedagogia do Limite, com a professora Dra. Rosa Freitas, vinda do Rio de Janeiro (RJ), que compartilhou com os acadêmicos as experiências vividas por crianças especiais e seus familiares na ONG SBA (Sociedade Beneficente de Anchieta). As exposição de banners dos estudantes e oficinas pedagógicas deram continuidade à programação do evento.

A professora Carla Cristie de França Silva, coordenadora do curso de Pedagogia da UCB, esclareceu que a proposta da realização dessa Semana foi, além de discutir o papel do profissional na sociedade contemporânea, colocar em prática, por meio das oficinas, como o pedagogo pode contribuir na formação humana e transformar a realidade. “Sabemos que o professor, hoje, precisa ter várias competências, várias formas de atuar, não apenas entre quatro paredes, em sala de aula, mas no cenário frente a esse mundo adverso. Nós trouxemos a discussão que envolve a família, a escola e o mundo contemporâneo frente a esse cenário todo de violência, muitas vezes de destruição fora de sala, que impactam no processo de aprendizagem e no desenvolvimento da criança e do adolescente”.

Contação de histórias, cultura e educação cigana, educação financeira, cinema na sala de aula, desenho como representação do pensamento matemático e prática neuropsicomotora em sala de aula foram as oficinas ministradas na Semana, e as apresentações culturais promovidas por estudantes e crianças concluíram a programação do evento, com a evidência da criatividade na arte de educar. As estudantes Milena Santos e Amanda Oliveira, do 5º semestre do curso, avaliaram como fundamentais e enriquecedoras as oportunidades de ampliação de conhecimento durante a Semana da Pedagogia. “Achamos muito interessante essa modalidade de apresentação de banner, expor os nossos trabalhos de forma científica, porque já produzimos muitos materiais didáticos e pedagógicos ao longo do curso”, afirmou Milena. Para elas, é sempre importante participar e apoiar esses eventos. “É muito enriquecedor e fundamental para nossa formação acadêmica”, disse Milena. “Oportunidades como essas trazem experiência, porque muitas vezes nos vemos na fala dos palestrantes, e de forma indireta isso nos traz uma sabedoria na prática”, complementou Amanda.

A Pedagogia do Limite em pauta na UCB

No processo de educação há espaço e necessita de limites. O limite é que transforma uma criança em um adulto autônomo com um papel importante na sociedade. Para isso, o amor, o respeito, a participação familiar e o apoio da escola são fundamentais. Essas questões foram abordadas pela professora Rosa Maria Ferreira Freitas na palestra Pedagogia do Limite. Em entrevista, Freitas afirmou que “vivemos uma falência na educação”, em que a ausência dos pais causa implicações graves na sociedade. Para ela, “o amor é fundamental na arte de educar!”.

Confira a entrevista com a professora Dra. Rosa Maria Ferreira Freitas


Professora, o que você vai falar aos estudantes sobre a Pedagogia do Limite?

Eu vou apresentar o projeto Pedagogia do Limite, desenvolvida na SBA (Sociedade Beneficente de Anchieta), uma ONG, localizada no Rio de Janeiro, que trabalha com crianças com deficiência ou com transtornos de aprendizagens. Durante o trabalho, percebemos que só orientação de vivência não atendia às necessidades e às demandas. Então, criamos o Programa de Desenvolvimento Humano, nele temos a Escola de Pais e a Pedagogia do Limite.
A Pedagogia do Limite fala a respeito da importância de se instalar limites de forma adequada aos nossos filhos.

Filhos com e sem deficiência?


Sim, aos filhos de forma geral. É lógico que cada filho tem sua especificidade, porque o meu filho pode não vir a ser um gênio, mas ele tem que ter o máximo de autonomia e uma vida social adequada. Se não há socialização, não há aprendizado. Se a gente não tem ou não der limites e regras de forma adequada, a criança se desenvolve de forma equivocada, com a estrutura da personalidade comprometida. Então, no projeto Escola de Pais, nós falamos dentro dos módulos sobre a importância do amor, que é fundamental na estrutura e no limite. E na Pedagogia do Limite nós falamos das formas mais adequadas de se instalar limites, auxiliando na construção da personalidade mais saudável possível.

O que difere o limite da repressão?

Não existe uma receita de bolo para criar um filho. Existe o bom senso. E a forma da aplicabilidade do bom senso até onde você pode ir como pai de autoridade, que é bem diferente de pai autoritário, faz a diferença. A correção de como saber se é certo é só você quem vai perceber. A criança tem que ser corrigida, limitada, educada, mas você nunca pode faltar com o respeito, a base que é o amor. A gênese da palavra amor contém o respeito. Se seu filho errou, jogou algo no chão que não era para jogar, você vai lá, com a postura de autoridade, corrigi-lo e colocá-lo para pensar. Em nenhum momento você deve faltar com respeito.

Faltar com o respeito é a agressão física?

Agressão verbal, a agressão física e a psicológica, que é colocar o terror na criança. Usar a postura: “Você vai ver! “Você vai ver o que vou fazer!” ( gritando) não é certo. Resultado disso é uma criança crescendo com comportamento inadequado, que se torna um adolescente problemático, a exemplo da “Baleia Azul”, com pessoas com depressão que não têm estrutura de personalidade saudável para enfrentar os desafios que a vida impõe. Ou ela vai se sentir vitimada, se esconder debaixo da cama, se sentir o coitadinho, ou de forma primitiva, sair agredindo todo mundo, tal qual vê a figura de autoritarismo que ele tem em casa. Infelizmente estamos vivendo uma falência na educação, que infelizmente a maioria dos pais não consegue exercer sua função.

Muitos pais acabam repassando a responsabilidade de pais para a escola...


Terceirizando a responsabilidade de pai para os avós, vizinhos, cuidadores, em especial a escola, não temos os limites que a criança precisa. Se você for observar, o filho fica o dia todo no computador, celular, vídeo game e vai sendo criado aos trancos e barrancos. O projeto Escola de Pais é uma analogia de que os pais precisavam voltar à escola e aprender que ser pai e mãe requer implicações, e que sua ausência resulta em implicações graves na sociedade.

Qual o papel do Pedagogo na Pedagogia do Limite? Como os nossos estudantes podem contribuir na escola, na ausência dos pais?

Tudo que eu falo para o pai e mãe eu falo para o professor, porque o professor é um educador, assim como os pais. Ambos são figuras de referência, e o professor precisa entender que ele pode ser um divisor de águas na vida de uma criança. O primeiro é a disponibilidade. Disponibilidade e respeito são fundamentais. A criança, quanto mais faz bagunça em sala, mais ela clama por socorro. Se o professor não entender esse aluno, olhá-lo como ser humano, dar uma atenção diferenciada, o professor não fará a diferença na vida dele. Metas pessoais também são importantes. Humanamente é impossível você trabalhar em duas, três escolas e ter ânimo para dar atenção a tantas crianças.

O filósofo Mário Sérgio Cortella costuma dizer que “o professor não é pai e mãe”, mas é referência. A escola é o segundo grupo social que o filho faz parte, e a estrutura de personalidade é formada até os seis anos de idade, e, nesse momento, a criança já está na escola. A partir daí, a personalidade é dinâmica, vai se aperfeiçoando, mas a base está lá.

Fátima Layane

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