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03/08/2017 - 14:00
Professora da UCB fala sobre importância da amamentação
Para marcar a Semana Mundial e o Mês do Aleitamento Materno, a professora do curso de Nutrição, Caroline Romeiro, destaca a importância da amamentação para as mães e para os bebês
Professora da UCB fala sobre importância da amamentação Fotos: Faiara Assis
Para incentivar o ato de amamentar, de 1 a 7 de agosto, em 150 países, entre eles o Brasil, ocorre a Semana Mundial de Aleitamento Materno. Com o objetivo de reforçar a amamentação no país, recentemente o Congresso Nacional sancionou uma lei que institui o mês de agosto como Mês do Aleitamento Materno no Brasil, chamado de Agosto Dourado.

Considerado o alimento mais completo para o bebê, o leite materno confere proteção imunológica e nutrientes essenciais, especialmente no início da vida, quando outros alimentos não podem ainda ser oferecidos para suprir as necessidades nutricionais. Para falar da importância desse alimento para o desenvolvimento dos bebês e esclarecer alguns mitos, a professora do curso de Nutrição da Católica, Caroline Romeiro, respondeu às seguintes questões:

Quais os benefícios da amamentação para a mãe e para a criança?
Os benefícios para a mãe incluem o vínculo afetivo, a volta ao peso normal (pré-gestacional) e volta do tamanho do útero ao tamanho normal. Para a criança, poderia dizer que são imensuráveis, pois além do vínculo afetivo e a sensação de proteção, a amamentação fornece os nutrientes essenciais necessários para o bom desenvolvimento e crescimento da criança, formação adequada da microbiota intestinal e confere proteção imunológica. Podemos citar os benefícios da amamentação até para a sociedade como um todo, pois tornamos as crianças mais saudáveis, com menor risco de internação por doenças infecciosas e desnutrição, além de reduzir o lixo residual quando comparamos com a utilização de fórmulas em lata, portanto, é inclusive um ato sustentável para o planeta.

A amamentação gera proteção imunológica para o bebê? Sim, para algumas doenças, como a gripe, quando a mãe está imunizada a criança fica protegida, desde que esteja em aleitamento materno exclusivo.

Qual o procedimento correto: a livre demanda ou horário preestabelecido para as mamadas?
Hoje, o recomendado é a livre demanda, pois a criança saberá quando tem fome e sinaliza para a mãe quando chora. Esse é o natural.

A alimentação da mãe influencia na qualidade do leite? O teor de nutrientes do leite materno não varia muito, porém alguns micronutrientes e, especialmente a composição de lipídeos, podem variar sim. Ácidos graxos essenciais para o desenvolvimento do Sistemas Nervoso Central (SNC), nessa fase, passam pelo leite materno, como é o caso do ômega 3 (DHA).

Quando a criança nasce com uma alergia ou intolerância, a mãe precisa fazer uma dieta para não prejudicá-la durante a amamentação? Quando a criança tem alergia a algum componente alimentar, e mama no peito, a mãe deverá fazer alterações na dieta sim, pois esses componentes podem passar pelo leite materno. Muitas coisas relacionadas à restrição na dieta materna para evitar a cólica no bebê, são crenças populares, pois não há evidência de que a retirada de determinados alimentos irá reduzir o quadro de cólica nos bebês. Afinal, a cólica no bebê acontece até o terceiro ou quarto mês de vida por imaturidade fisiológica, natural desse período. Por isso é importante respeitar o período de aleitamento exclusivo e evitar a introdução precoce de alimentos.

Qual a idade ideal para introduzir os alimentos e parar com a amamentação? A idade recomendada para introdução alimentar é aos seis meses de vida. Isso significa começar o processo nessa idade, não significa que a criança estará pronta, afinal, existem individualidades que devem ser respeitadas em cada caso. Mas aos seis meses a criança normalmente já consegue sentar, tem o pescoço mais firme e, muitas vezes, já tem alguns dentinhos. Existe um método que está ganhando muitos adeptos na introdução alimentar, que estimula a autonomia nas crianças, e elas pegam com suas próprias mãos os alimentos que têm interesse (oferecidos pela família seguindo alguma recomendações, claro). O método é o BLW, do inglês Baby-led-weaning, no qual a criança é autora do processo de introdução alimentar, bem interessante.

É verdade ou mito que existe leite fraco e forte? Mito! Não existe leite fraco. Todo leite materno será suficiente para a criança.

Como a mãe pode lidar com os incômodos dos primeiros dias da amamentação? No início, o importante é ter calma e paciência. Muitas pessoas acham que é natural o processo da amamentação, porém, tanto a mãe como o bebê, estão aprendendo como é o processo. O bebê aprendendo a sugar, e a mãe a encontrar a melhor posição, a lidar com a dor (a dor está associada à má pega), o ciclo circadiano invertido, muitas vezes associado a noites mau dormidas e à falta de apoio, são os maiores problemas associados a esse período. Eu recomendo que as mães procurem enfermeiras especialistas em amamentação para esse período, pois esse apoio profissional trará alívio e confiança, que é o que elas precisam nesse momento.

Qual a relevância do incentivo à amamentação? Nós estamos retornando à cultura da amamentação, o que considero uma grande vitória para nossa sociedade. O início da vida é fundamental para a saúde humana, e amamentar, que é algo tão natural e necessário para nós, estava sendo perdido. Muito pela mudança de estrutura na nossa sociedade, com a mulher trabalhando fora de casa. Precisamos cada vez mais reforçar a importância do aleitamento materno, portanto, acho que esta semana é importante para isso. Mas ainda precisamos mais, precisamos garantir o apoio a essas mulheres, pois nem sempre é fácil manter a amamentação. Lembrando que o aleitamento materno exclusivo deve acontecer até os seis meses, porém, a partir daí ainda é recomendado manter o aleitamento junto com outros alimentos, e isso deve acontecer até pelo menos dois anos de vida. Após dois anos, o aleitamento pode acontecer sem nenhum problema, e a interrupção da amamentação deve ser uma decisão da mãe e da criança.




Juliana Tito

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