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16/05/2018 - 13:37
Especialista em Direito Islâmico dá aula especial sobre terrorismo
Professores e estudantes do curso de Relações Internacionais receberam o professor egípcio Mohamed A. `Arafa
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Esquerda Fotos: Gabriel Marques Direita
O professor das Universidades de Indiana (Estados Unidos) e Alexandria (Egito), Mohamed A. `Arafa, esteve na Universidade Católica de Brasília (UCB), nesta terça-feira, 15 de maio, a convite do curso de Relações Internacionais para uma aula especial. O professor `Arafa é especialista em Direito Islâmico e falou aos estudantes sobre terrorismo.

Os temas Terrorismo e Direitos Humanos são as áreas de estudo do professor Mohamed A. `Arafa, tanto nos Estados Unidos, quanto no Egito, e veio ao Brasil para ministrar um curso de Direito Islâmico. `Arafa destacou em sua palestra dois países, Egito e Tunísia, palco da chamada Primavera Árabe (manifestações e protestos que ocorreram no Oriente Médio e no Norte da África a partir de 2010).

Em uma entrevista para UCB, o professor Mohamed A. `Arafa falou sobre definição de terrorismo no mundo, quebra de paradigma entre Islã e terrorismo e sobre a Primavera Árabe.

Definição de Terrorismo

“Não temos uma definição de terrorismo entre as nações. O que vemos é que existem vários professores, de várias escolas do mundo, que se dedicam a estudar o que é terrorismo, mas o grande problema é que muitas vezes o terrorismo é utilizado como uma definição política, ao invés de mapear e punir o terror, ele é voltado para punir, por exemplo, a oposição dentro do seu país. Egito e Tunísia são casos que criaram uma lei muito rígida sobre terrorismo, mas na verdade a lei não buscou definir ou punir o terrorismo em si, mas grupos de oposição”.

Preconceito contra o Islã

“Para mudarmos o paradigma de que todo o Islã é terrorista devemos parar de enxergar a visão de terrorismo vinda dos Estados Unidos. Todo o mundo Ocidental é influenciado pelos EUA, mas já começo a perceber uma mudança vinda de lá, de como a Academia está com uma visão muito mais objetiva sobre o mundo Islâmico, então, algumas formas de ver o Islã. Essa comunidade não é terrorista, mas pode haver, entre eles, grupos terroristas, assim como no cristianismo possa vir a ter. O que devemos deixar claro é que essa condição de terrorismo não é exclusiva dos islâmicos”.

Condições para o terrorismo

“Uma coisa muito importante que devemos ressaltar é que no mundo Árabe, o que leva ao terrorismo é a falta de acesso à educação, à saúde, ao emprego, e isso pode acontecer em qualquer lugar do mundo. Se você não tem acesso a essas coisas, o que acontece? Você acaba se radicalizando e se associando a quem te oferece a primeira opção, e foi isso que levou à Primavera Árabe. As pessoas não tinham acesso a serviços básicos. Outro grande problema é que nesses países o sistema Judiciário serve não para a proteção da lei e garantia de ordem social, mas como um braço do Estado, que em sua maioria são regimes autoritários, fazendo leis que suprimam pessoas que falam de democracia, Direitos Humanos, e isso é também um caminho para o radicalismo”.

Primavera Árabe

“O que aconteceu no final de 2010 e em 2011, com as manifestações em vários países, não foi uma revolução, foram pequenos movimentos e existe a possibilidade de termos, de verdade, revoluções de verdade, porque a fonte da revolução tem como objetivo alcançar as suas metas, que são de longo prazo, e agora as pessoas estão cientes disso “, frisou.

O professor Fábio Albergaria de Queiroz, do curso de Relações Internacionais, destacou que “frequentemente nós ligamos o terrorismo ao Islã, e o professor `Arafa, como egípcio, vem descontruir ou lançar luz sobre a relação entre Islã e terrorismo. A mensagem que o professor passa é que isso não é algo inerente ao Islã. Da mesma forma que acontece com o Islã pode acontecer nas civilizações Ocidentais, inclusive perpetrada por governos”.

“A Primavera Árabe não apenas levantou movimentos sociais como também abriu espaço para grupos terroristas atuarem, dentro os quais o Estado Islâmico que é tão noticiado hoje”, explicou o professor Fábio Albergaria.

Parceria com as Forças Armadas

Esteve presente no evento o Capitão de Mar e Guerra, Alexandre Pires, representando a Marinha do Brasil, que é parceira da Universidade.

De acordo com Alexandre, somente por meio da educação e informação que o paradigma de terrorismo pode ser dissociado do islamismo. “Do ponto de vista da defesa, é muito importante trazer temas como o terrorismo e ações contra o estado constituído. Essa palestra é extremamente relevante, pois faz uma dissociação fundamental sobre o que é religião e terrorismo, mostrando que são coisas totalmente diferentes. Outro ponto interessante de ser destacado, é a presença de árabes no Brasil. Aqui, temos cerca de 9 milhões de libaneses, enquanto no Líbano existem 6 milhões. Isso mostra que a nossa relação com esse povo é de paz, e é importante expor isso para os nossos jovens para que as gerações futuras possam construir um País do tamanho que a nossa sociedade merece e que tenha uma visão mais aprofundada sobre terrorismo, para que não haja concepções precipitadas acerca desse tema tão complexo”. 



Rodrigo Eneas e Júlia Pedrinha

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