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31/08/2018 - 11:10
UCB debate a aprendizagem e a medicalização no ensino de crianças
O evento contou com a parceria das Escolas de Saúde e Medicina e de Educação, Tecnologia e Comunicação e trouxe as duas expoentes no estudo da educação e no processo de medicalização
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Esquerda Fotos: Rodrigo Eneas Direita
O Programa de Pós-Graduação em Psicologia promoveu nessa quinta-feira, 30 de agosto, uma mesa-redonda intitulada “Aprendizagem e Medicalização: Os desafios do ensino”. As convidadas para o debate foram as professoras doutoras: Esther Pillar Grossi, do Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia da Pesquisa e Ação (GEEMPA) e Ana Cecília Silveira Lins Sucupira, médica-assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e médica da prefeitura de São Paulo. O evento contou com a mediação da prof.ª Dr.ª Lêda Gonçalves Freitas, dos cursos de Psicologia e Pedagogia da UCB.

O evento contou com a parceria das Escolas de Saúde e Medicina e de Educação, Tecnologia e Comunicação para trazer as duas grandes expoentes no estudo da educação e no processo de medicalização de crianças e adolescentes. “Com esse evento pudemos discutir os problemas da medicalização precoce de crianças, tanto na perspectiva da Psicologia, quanto nas perspectivas médica e educacional”, destacou a professora Lêda.

“Na minha visão, devemos trabalhar mais os processos pedagógicos para que todos os alunos aprendam, e não ficar focados na medicalização, que só exclui e atrasa a criança. Cada vez mais não resolvemos o problema do aprendizado do estudante na escola. Ao invés de resolver pedagogicamente, estamos mandando nossas crianças para os médicos atrás de um diagnóstico para dizer que têm dificuldade de aprendizagem, e aí elas ficam marcadas e medicalizadas”, disse a professor Lêda Gonçalves.

“A sorte que nós temos é que existem boas descobertas científicas sobre o aprender e nessas descobertas está a ideia de que não há doença que impeça as aprendizagens. Hoje a criança recebe um laudo e a professora já sabe que vai ser muito difícil de ensinar para este estudante. Então, a maior parte dos alunos que apresentam algum tipo de comportamento diferente em sala de aula não aprendem, são excluídos e levados a um diagnóstico de déficit de aprendizagem”, disse a professora Esther Grossi.

Segundo a professora Esther, o ato de ensinar requer do profissional uma reflexão constante e crítica sobre o seu cotidiano. Buscar aprimoramento, novos saberes, apreender novas estratégias para que sua prática educativa não se torne obsoleta ou venha a cair na mesmice. “A prática educativa deve ser sempre ação-reflexão-ação, se necessário reinventá-la a casa dia, tendo como alvo o aluno e seus interesses, levando em consideração sua realidade, de modo que o aluno venha futuramente saber adequar suas práticas, seus valores, seus saberes de acordo com o contexto social ao qual está inserido”, destacou.

Falando sobre o processo educacional, e os casos que atende em São Paulo, a médica Ana Cecília Sucupira disse que as escolas estão transformando crianças que não aprendem em financiadores da indústria farmacêutica de medicamentos para distúrbios. “Você coloca na criança a culpa por não aprender, quando a gente sabe que não é. Também não podemos colocar a culpa no professor, porque sabemos que ele é mal pago, mal qualificado... é o sistema educacional como um todo o responsável por essas medicalizações indevidas. A escola está mal, e na minha visão, o mais importante passo para sair desse ciclo se dá pela qualificação do professor. Devemos ter um programa permanente de capacitação e formação”, destacou.

“Eu trabalho com os professores e ensino a eles que não se trata de doença, mas sim de pedagogia. Às vezes eu já recebo uma criança em meu consultório com o diagnóstico fechado da escola, do professor, e está errado! Quando vou analisar vejo que a criança não tem nenhum problema, que ela está aprendendo”, disse a professora da USP, Ana Cecília.



Rodrigo Eneas

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