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21/06/2016 - 17:45
UCB entre os melhores artigos científicos internacionais
O projeto "e-Lixo - Reiniciar tecnologia sustentável", financiado pela FAP/DF, receberá destaque no XXXV Congreso Interamericano AIDIS, na Colômbia. Desde 2010, a pesquisa envolve os cursos de computação, engenharia ambiental e administração
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Esquerda Foto: Divulgação Direita
Financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), um importante projeto de pesquisa originário dos cursos de Tecnologia da Informação (TI), com o apoio do cursos de engenharia ambiental e administração da Universidade Católica de Brasília (UCB), foi aceito pelo XXXV Congreso Interamericano de Ingeniería Sanitaria y Ambiental de AIDIS (Associação Interamericana de Engenharia Ambiental e Sanitária) para apresentação de artigo científico, entre os dias 21 e 24 de agosto, em Cartagena, na Colômbia.

Com o artigo “e-Lixo – Reiniciar tecnologia sustentável”, sobre a importância da reciclagem de ouro dos processadores de CPU, a UCB se classificou entre as 10 melhores produções científicas do congresso e ainda concorre ao título de Melhor Artigo Científico, na modalidade "Resíduos Sólidos". O resultado da premiação será divulgado durante a 35ª edição do tradicional evento.

O trabalho abordou a reciclagem do ouro presente nos resíduos eletroeletrônicos, especificamente nos pinos de CPUs (Unidade Central de Processamento) de computadores com o uso de hidrometalurgia, que é a dissolução do material em soluções lixiviantes, ácidas ou alcalinas. Inicialmente, foi aplicado ácido nítrico nos pinos para dissolver os metais-base e deixar apenas o ouro e os resultados mostraram que é possível separar as folhas de ouro dos pinos. No entanto, com a utilização de água-régia e ácido oxálico, o estudo apresentou a formação de material escuro e resinoso, associados com outros metais, não ocorrendo formação de pepita metálica de ouro. Em outro caso, foram observadas pequenas gotículas de ouro.

O coordenador dos cursos de TI, Daniel Barbosa, explicou que a pesquisa examinou os pinos de CPUs intactos com microssonda eletrônica e microscópio eletrônico de varredura para determinar a presença de ouro nos resíduos eletroeletrônico. “No geral, os resultados mostraram que todos os envoltórios dos pinos contêm ouro e níquel, mas o centro é composto de cobre com estanho, ferro e níquel. Outro alerta é que o resíduo ácido contém altos teores de chumbo, indicando possibilidade de causar grande impacto ambiental”, explicou.

Para a professora dos cursos de Tecnologia da Informação, Graziela Ferreira Guarda, o lixo eletrônico expõe diversas comunidades aos perigos dos componentes químicos existentes nos equipamentos eletrônicos. “O acúmulo desses materiais na natureza gera prejuízos de curto e longo prazo ao meio ambiente. Este tipo de resíduo apresenta o maior grau de crescimento na década, considerando que as pessoas estão atualizando seus equipamentos com maior frequência (em média a cada seis meses), estimuladas pelo surgimento constante de aparelhos com funções cada vez mais sofisticadas e abrangentes”.

Projeto de tecnologia sustentável

Originário dos cursos de Tecnologia da Informação (TI), o projeto de extensão “Reiniciar: e-Lixo Universitário, oficina prática e inclusão digital na Universidade Católica de Brasília” surgiu em 2010 ao abordar questões de triagem, remontagem e configuração de máquinas. No entanto, somente em 2015 foi oficializado como projeto de pesquisa. Ao envolver os cursos de computação, engenharia ambiental e administração, o estudo sobre a reciclagem de lixos eletrônicos é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do egresso Marcelo Nascimento Silva Franco, do curso de engenharia ambiental, que fez parte da equipe do “E-Lixo - Reciclar Tecnologia Sustentável” como estagiário entre os anos de 2012 e 2014.

Sob a orientação dos professores Luiz Fernando Whitaker Kitajima, de Engenharia Ambiental, Sebastião Eustáquio Pereira, de Ciências Contábeis, e Graziela Guarda, de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Marcelo Franco focou seus estudos nas questões ambientais do lixo eletrônico e defendeu a tese “Reciclagem do ouro de pinos de processador-CPU a partir de resíduo eletroeletrônico” em 2015, com o primeiro TCC do curso sobre o assunto.

Segundo Marcelo, “Após várias pesquisas em artigos científicos, verificamos que o metal ouro é possível de reciclagem de resíduo eletroeletrônico devido a sua fácil extração e os métodos de reciclagem utilizados. Essa reciclagem contribui como fonte alternativa de matéria-prima para a indústria eletroeletrônica, economia no custo de produção, redução do volume de resíduos eletroeletrônicos e menos impacto no meio ambiente. Com esta experiência, quero influenciar outros estudantes da minha área na reciclagem de resíduo eletroeletrônico”.

De acordo com dados divulgados em 2014 pela ONG Greenpeace, por ano, são gerados em torno de 100 a 300 milhões de toneladas de lixo eletrônico no mundo, o que representa 10% de todo o lixo sólido produzido em volume de detritos. No Brasil, é produzido o maior volume de lixo eletrônico por habitante. “A reciclagem é uma alternativa que cresce a cada dia, pois existem pessoas que recolhem o resíduo eletroeletrônico e recuperam metais de interesse econômico. Isto contribui como fonte alternativa de matéria-prima para a indústria eletroeletrônica, economia no custo de produção, redução do volume de resíduos eletroeletrônicos e menos impacto no meio ambiente”, ressaltou Franco.

Segundo o professor Sebastião Eustáquio Pereira, a questão dos resíduos sólidos no Brasil, como em qualquer parte do mundo, exige esforço e comprometimento de todos os segmentos da sociedade. “Não é uma simples solução tecnológica, de gestão ou legal, mas envolve aspectos de reengenharia de processos, de consciência ambiental e de uma nova forma de encarar os efeitos sociais e ambientais de um descarte inadequado desses resíduos”, disse.

Para Eustáquio, o projeto faz parte ainda dos pilares da instituição na tríade pesquisa, ensino e extensão com integração entre diversas áreas de conhecimentos. “É uma interface entre a academia e a sociedade. Também trabalhamos a logística reversa, que é a devolução de componentes aos fabricantes, e a inclusão digital, por meio da remontagem de máquinas para uso da internet em comunidades carentes em conjunto com outros projetos de extensão. Ao longo da história do projeto, diversos estudantes contribuíram com olhares e habilidades específicas, participaram de congressos de iniciação científica e ganharam prêmios e aprovações de trabalhos em congressos nacionais e internacionais”, destacou.

Kitajima explica que, na época, havia um grande número de computadores descartados que poderiam servir de base para um projeto. “A pesquisa do estudante deu continuidade ao projeto. O lixo eletrônico é importante do ponto de vista legal, com a lei que trata da correta disposição final de resíduos sólidos, econômico, como fonte em potencial de recursos valiosos, como o ouro, e social, que possibilita a reconstrução de computadores e a redução de resíduos para comunidades carentes. E esse tema faz parte da matriz curricular do curso”, concluiu.

Anny Cassimira

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