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17/03/2017 - 15:05
Memórias vivas do Holocausto
Embaixada de Israel promove momento único na história do curso de Relações Internacionais da UCB, com a presença do Sr. Freddy Glatt, um dos últimos sobreviventes do Holocausto, que contou sua comovente história de vida e sobrevivência à época
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Esquerda Fotos: Faiara Assis Direita
“O Holocausto foi um assassinato industrializado pelos nazistas. Nunca aconteceu isso na vida. Nunca aconteceu isso no mundo, essa indústria com sadismo para matar pessoas. Foram mortos seis milhões de judeus, entre eles, 1 milhão e meio de crianças inocentes”. Ao relembrar isso, com sua fala mansa, as mãos trêmulas e o olhar de quem está revivendo os sofrimentos, as emoções do passado, Sr. Freddy Glatt emocionou os estudantes e professores do curso de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília (UCB) com seu relato de vida.

A palestra “Roubaram minha infância – Como eu sobrevivi ao Holocausto” foi uma realização da Embaixada de Israel à comunidade acadêmica da UCB, realizada na manhã de 15 de março, no Auditório do Bloco M. Além dos estudantes e professores, o evento contou com a importante presença do ministro da Embaixada de Israel, Sr. Itay Tagner, a Sra. Betty Glatt, esposa do Sr. Freddy, e a Srta. Nobienne Freire, assessora Cultural da Embaixada de Israel. A assessora explica que essa realização é uma proposta anual de sensibilização da sociedade para a preservação da história. “Anualmente, nós celebramos a memória do holocausto, porque a Embaixada de Israel tem o intuito de manter viva essa história para entendermos o que aconteceu e evitar que isso volte a acontecer. “Este ano, nós trouxemos o Sr. Freddy Glatt, um sobrevivente, porque tem uma aclamação e uma atenção maior por parte do público. É a memória viva se fazendo presente para as novas gerações”, explicou Nobienne.

Para o ministro da Embaixada, Sr. Itay Tagner, trazer o Sr. Freddy Glatt à UCB é um “dever de memória” o qual todos nós devemos preservar e manter vivo. Confirmando a opinião do ministro, o professor do curso de Relações Internacionais, Rogério Lustosa, parabenizou a iniciativa da embaixada e ressaltou a importância desta oportunidade. “Antes de tudo essa é uma atitude política e muito corajosa. Nós sabemos que muitos sobreviventes optaram pelo silêncio ou não suportaram esse passado. Mais do que nunca, esse dever de memória se faz urgente, porque, nós lembramos e devemos nos lembrar, por um esforço político, para pôr fim a esses projetos altamente destrutivos para a humanidade. E eu não consigo ver nada mais forte do que a memória de pessoas como o senhor Glatt, que vem compartilhar conosco essas dolorosas lembranças e nos fazer guerreiros por um mundo melhor”, destacou o professor Lustosa.

A professora Rosana Tomazini, coordenadora do curso de Relações Internacionais, ressaltou a representação desse período da história na violação dos Direitos Humanos. "O evento de hoje nos permitiu "ouvir a história", em primeira pessoa, de um dos últimos sobreviventes do Holocausto, período em que ocorreu uma das maiores violações de Direitos Humanos, no mundo. A partir do Holocausto se construiu, por exemplo, todo o sistema de proteção internacional dos direitos humanos, vigente até os dias de hoje. Experiências como esta reforçam o aprendizado em sala de aula e contribuem para a formação dos nossos estudantes, na medida em que proclamam o respeito aos Direitos Humanos”.

As lembranças vivas do Sr. Freddy Glatt

“Durante a guerra eu tinha a idade de vocês, mas conheci o nazismo quando eu tinha 5 anos”, afirmou o sobrevivente. Freddy, como gosta de ser chamado, comoveu a plateia com sua história. O sobrevivente relatou o sofrimento da fuga de sua família de Berlim para Bélgica, a migração para outros países como Áustria e França até a chegada ao Brasil. Contou em detalhes os dias de fome, a sensação de perseguição aos judeus. “Vocês não podem imaginar o que é passar fome. O que é andar na rua e sempre ter a sensação de estar sendo perseguido. Eu vivi boa parte da minha vida pensando apenas em duas coisas: comida e não ser pego. Até hoje quando alguém pergunta o meu nome, por uma fração de segundos, eu penso se falo meu nome verdadeiro ou falso”.

Freddy também compartilhou suas conquistas, seus orgulhos e sonhos. Desde sua chegada ao Brasil vive no Rio de Janeiro. Casou-se com a Sra. Betty, com quem construiu uma família. Tiveram três filhos, duas meninas e um menino, seis netos e uma bisneta. “Todos brasileiros. Todos formados em universidade, menos a bisneta”, brincou. “São os juros da minha existência”, orgulhou-se.

Arrancando longos aplausos, com a plateia posta de pé, Freddy deixou a sensação quase que indescritível no olhar de cada pessoa que prestigiou esse momento único. “Nós podemos ler quantos livros quisermos, mas escutar a história é muito diferente. Você sente o impacto. Foi um momento muito obscuro da história humana que não há palavras para descrever, e, que precisamos lembrar. Se ele cair no esquecimento, ele pode ser repetir, porque o ser humano tende a errar de novo, tende a não aprender com os erros. Talvez a gente nunca entenda as causas disso, mas lembrar é muito importante para tiramos uma lição disso”, concluiu Aline Ghellere, aluna do 3º semestre do curso de Relações Internacionais.

Saiba mais: Holocausto

O Holocausto foi a perseguição e o extermínio sistemático, burocráticamente organizado e patrocinado pelo governo nazista, de aproximadamente seis milhões de judeus pela Alemanha e seus então colaboradores. "Holocausto" é uma palavra de origem grega que significa "sacrifício pelo fogo". Os nazistas, que chegaram ao poder na Alemanha em janeiro de 1933, acreditavam que os alemães eram "racialmente superiores" aos judeus, por eles considerados como uma ameaça externa à chamada comunidade racial alemã. As autoridades alemãs também perseguiram outros grupos por sua dita "inferioridade racial": ciganos, deficientes físicos e mentais, e alguns povos eslavos (poloneses e russos, entre outros). Outros grupos eram perseguidos sob pretextos políticos, ideológicos e comportamentais, entre eles os comunistas, os socialistas, as Testemunhas de Jeová e os homossexuais.

No início do regime nazista, o governo nacional-socialista [nazista] criou campos de concentração para deter seus oponentes políticos e ideológicos, fossem eles reais ou imaginários. Após a invasão da União Soviética pela Alemanha, em junho de 1941, as Einsatzgruppen (Unidades Móveis de Extermínio), seguindo o exército nazista, ficavam atrás das linhas de fogo para realizar operações de assassinato em massa de judeus, ciganos, autoridades do estado soviético, e do Partido Comunista. Juntas, as SS, a polícia e as unidades militares alemãs assassinaram mais de um milhão de homens, mulheres e crianças judias e centenas de milhares de pessoas de outros grupos étnicos e ideológicos. Entre 1941 e 1944, as autoridades nazistas alemãs deportaram milhões de judeus da Alemanha, dos territórios ocupados e dos países a elas aliados [o Eixo] para guetos e centros de extermínio, muitas vezes chamados de campos de extermínio, onde eram mortos nas instalações de gás especialmente criadas para aquele fim. Em 1933, a população judaica europeia era composta por mais de nove milhões de pessoas. Em 1945, nove anos após, os alemães e seus colaboradores haviam assassinado aproximadamente dois entre cada três judeus europeus através da operação denominada "solução final", a política nazista cujo objetivo era matar todos os judeus da Europa.

Fonte: United States Holocaust Memorial Museum, Washington, DC



Fátima Layane

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